Virtual: A mensagem, antes e depois

30 de abril de 2013
virtual_kureb

por Cléber Horta*

 

Recebi com muita alegria o convite para participar do Coletivo Virtual. Como parte da concepção da identidade da Virtual AD, eu jamais poderia deixar de participar de um projeto tão interessante e importante. Lembro-me que enquanto o desenvolvia, numa busca por um contexto que ligasse o logotipo ao nome, passei alguns dias discutindo com alguns amigos o que era “virtual” para eles; alguns diziam: “- Virtual é algo que só existe no computador!” ou ainda “– É tudo o que acontece na Internet, não?”.

 

E aí morava o desafio. A palavra virtual tem inúmeros significados, que variam de acordo com a área que a está abordando. Não bastando ler a conceituação de Pierre Levy e tantos outros, resolvi buscar uma direção visual para representar o que eu buscava para a marca.

 

Tecnologia

 

Durante toda minha adolescência estive em constante contato com as artes visuais e, durante a revolução dos games no começo dos 90s, as correntes futuristas sempre diziam que aqueles frames compostos de alguns pixels iriam evoluir e ocupar o espaço da nossa vida real; desde lá foram inúmeras tentativas de representar o real criando uma experiência sensorial completa.

 

Na prática, aqueles games falharam. Mesmo com tantas tecnologias atuais, que vão do cinema 3D Digital ao Oculus Rift, cabe a nós “complementar” este universo virtual com nossa imaginação e criatividade. E são exatamente estes dois ingredientes principais a base para minha inspiração e a fonte da qualidade do trabalho dos meus amigos Laís Lamas, Brenno Neder e toda a sua equipe.

 

De lá pra cá, vivenciar esta palavra tomou um outro peso no meu cotidiano. No plano comum, para as “pessoas normais”, vi que virtual é estar online, conectado e se comunicando, e parte disso só se tornou possível através das redes sociais.

 

Em 1991, quando comprei o meu primeiro computador, lembro-me do fascínio que ele gerava nos meus vizinhos, que me perguntavam o quanto de informação eu conseguiria através dele. Perguntas como: “Dá pra saber onde mora a pessoa x ou y?” eram as mais comuns, mas não passava pela cabeça deles que essa informação teria que ser adicionada antes de ser colocada em questão. E foi aí que, anos depois, a Internet se tornou uma revolução na maneira de se obter os dados.

 

Hoje, basta ir ao Google, colocar uma palavra e mil resultados aparecem: de mapas a conexões antes nunca imaginadas. E tudo isso ganhou mais peso ainda com a inclusão das redes sociais. O que antes era um sonho – de se ter a informação das pessoas através do meio virtual – se tornou uma realidade e (pasmem!) somos nós que vamos lá e alimentamos esse gigantesco banco de dados.

 

Redes sociais

 

Constantemente me vejo questionando a dinâmica atual das redes sociais e o peso que esta concepção de “vida virtual” tem em nosso plano real. Logo pela manhã, minha caixa de mensagens inicia o dia com cerca de vinte emails promocionais e de empresas com serviços em que não me cadastrei e nem faço ideia de como conseguiram meu contato. Isso fora as dezenas de comunidades do Facebook que surgem a cada dia, repletas de assuntos dos mais variados. Minorias, fundamentalismo político, extremismos, e o pior, de todos os lados da moeda. Além de pregarem uma constante revolução social, elas sempre vêm de carona no “buzz“.

 

Esse “buzz” que também é aproveitado de maneira intensa pelos atuais canais de propaganda, hoje, redefiniu a forma como estamos lidando com o nosso mundo. Estamos cada vez mais impacientes, algumas vezes inflexíveis e com nosso pensamento analítico reduzido, resultados de um dinamismo imposto pela entrada tão intensa do universo acelerado da internet na nossa vida cotidiana.

 

Como um dos agentes do mercado de comunicação, fico um pouco apreensivo. Os textos estão menores, menos didáticos e, junto disso, vem também a constante falta de tempo de quem lê. Fragmentação em troca de abrangência. Nunca se escreveu tão pouco sobre tantas coisas. 140 caracteres hoje desencadeiam uma revolução em um mundo onde só se tem uma opção: Curtir; engano meu, podemos repetir o que o outro escreveu, ou seja, Retweetar. Até ontem, se falava da Primavera Árabe, da tal “Luiza que foi para o Canadá”, o mesmo pack de infográficos óbvios que prometem mudar sua vida e, hoje, aqui na minha timeline, um monte de gente contestando a veracidade do atentado terrorista na maratona de Boston.

 

Cresci ouvindo o ditado: quem conta um conto, aumenta um ponto. E vejo que na era das redes sociais isso tem tomado outras proporções. A pergunta que fica na minha cabeça é: a mensagem está chegando?

 

As mudanças e a mensagem

 

Sou um “heavy user” da internet desde 95. Cresci aprendendo no dia a dia com as mudanças e também observando o nascer e morrer de tantas boas ideias. Dos BBSs ao Yahoo, passando pelo Altavista, o surgimento e a dissolução do gigante AmericaOnline, o popular ICQ, o promissor Orkut e até o mais recente e transfigurado MSN, que agora é também Skype.

 

Convido todos vocês a, assim como eu, pensar. A cada dia, mil ideias, várias críticas, mil esboços nascem e morrem, e só ficam os que são realmente fundamentados. Sustentabilidade, identidade, clareza, posicionamento e persistência. Esses e tantos outros valores continuam sendo as constantes na timeline dos grandes e pequenos que passaram por todas essas microgerações e se mantiveram em alta.

 

De perto, observo todo esse vórtex de informações, sempre me achando muito novo para sentir saudade e velho demais para tentar entender no que vai dar isso tudo. Acabo deixando de lado para me preocupar apenas em uma direção: fazer a mensagem chegar.

 
*Cléber Horta é Designer Gráfico, Diretor de Arte. Participou da criação do logotipo da Virtual AD.

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1 Comentário
  • Mateus Chernicharo
    30 de abril

    Reflexão bem proposta, Kureb. Vale a pena gastar tempo nesse dilema!