Somos (ou estamos nos tornando) seres midiáticos?

11 de dezembro de 2013
texto 1

por Pedro Carcereri*

 
Estamos na segunda década do século XXI, num progresso de mudança de estilo de vida avassalador, muito embora não consigamos enxergar sem um distanciamento histórico acessível. Estamos cada vez mais ligados a máquinas, computadores e a telas, também chamado de ecrã por nossos amigos portugueses.

 

A geração do baby boom, a dos nossos pais, só foi ter contato com as telas acessíveis ao dia-a-dia através da arcaica televisão preto e branco. A nossa geração já nasceu permeada pelos programas televisivos e os videogames viciantes. Nossos filhos, com poucos anos ou meses de idade já reconhecem e interagem com a tela de um smartphone. Desde o início do cinema, no século retrasado, vamos nos familiarizando cada vez mais com telas que reproduzem vídeos que espelham nossa vida e nosso anseios, realisticamente ou não. A grande questão é a presença cada vez mais consolidada de uma estrutura midiática de telas no nosso dia-a-dia.

 

Não temos apenas mais a tela dos computadores em que trabalhamos ou da televisão que assistimos todos os dias após o trabalho, agora estamos acompanhados por telas que nos conectam a outras pessoas e temos acesso parcialmente ao mundo pela palma da nossa mão. Relembrando grandes clássicos da ficção cientifica, relacionamos a dominação do grande irmão de Orwell (1984) e das telas presentes em todo canto de Blade Runner. Precisamos nos preocupar? Sim e não.

texto 2

A esfera midiática da nossa vida é evolução de artefatos tecnológicos e de um modo de vida contemporâneo, reflexo de nosso desejo de mantermo-nos informados e conectados  com tudo, o tempo todo. O mundo, que antes era enorme, parece nos dias de hoje caber na ponta dos dedos. Isso é compreensível, por nossa sociedade manter um status de trabalho em nível máximo e desconsiderar qualquer tipo de manifestação de ostracismo ou desvio dessa conduta workaholic.

 

No entanto, é preciso que tenhamos muito cuidado. Nossa vida não depende, nem nunca dependerá, do que meu celular pode fazer, de quantos likes meu trabalho recebeu ou de quantos compartilhamentos tive. Nossa vida e nosso trabalho dependem de nosso senso crítico e nossa capacidade de abstração, saibamos brincar com a tecnologia e com o modo de vida dos dias atuais. Saibamos criticar e formar opiniões construtivas baseadas não apenas em referências midiáticas, mas em referências “vivas”. E possamos educar nossos filhos dessa maneira, antes que eles nos eduquem também (logicamente essa troca é necessária).  Os cenários de ficção científica não estão longe como pensamos, e ao invés de sermos dominados pela máquina, que tal nos tornar outsiders contestadores?

 

*Pedro Carcereri é mestrando em Artes, Cultura e Linguagens na UFJF. É roteirista, trabalha com produção e consultoria de roteiros. Pesquisa e tem interesse nas áreas de gênero cinematográfico, estrutura narrativa e arte e tecnologia.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

2 Comentários
  • Pedrina
    11 de dezembro

    Maravilhoso !!! Meu filho é o máximo !!!

  • Ruthe Souza Lima
    11 de dezembro

    Puxa!!! Que texto fantástico!! E os desenhos tb!! Parabéns, Pedro, vc disse “tudo”!! Precisamos muito de reflexões desta natureza… já q nos encontramos neste mar tecnológico q, muitas vezes, nem conseguimos navegar conscientemente!! Um abraço grande, muito sucesso prá vc!! Quero te ver em breve.