Somos originais?

27 de fevereiro de 2014
original

por Pedro Carcereri*

A maioria de nós está em busca de uma diferenciação, de uma coisa que nos faça parecer um tanto quanto incomuns, estamos sempre atrás de uma originalidade. No entanto, essa originalidade existe? Ela é alcançável? É possível mensurá-la? Confesso que não tenho as respostas para essas perguntas, também porque temos diante de nós uma proposição falha. A busca incessante por uma originalidade que venha a se destacar, por uma criatividade exuberante que venha a produzir sem limites, é a mesma coisa que procurar agulha no palheiro.

 

Não posso afirmar que as pessoas que dizem encontrar uma fórmula criativa de produção estejam erradas, somente não consigo enxergar uma fórmula única e vendável para entender o funcionamento dessas peripécias mentais. Um artefato original pode ser único e majestoso em uma época e kitsch e brega em outra. Entretanto, a criatividade e a perspicácia de um criador devem estar completamente ligadas a um profundo senso de resgate e de olhar para outras épocas da história de seu trabalho. Não, não é possível se descobrir um criador ou um gênio de uma hora para outra, como no surgir de uma lâmpada da elucidação. A descoberta e possível realização de atos criativos só é possível com muito trabalho e dedicação. Debruçar-se sobre questões que te intrigam pode ser uma das chaves de desenvolvimento criativo.

 

Acredito que a originalidade não exista como a maioria das pessoas a enxerga, como uma habilidade ou como um poder adquirido. A originalidade é um processo, construtivo e destrutivo. Observar o momento de pesquisar tal fator e de abandonar outro é crucial para ir lapidando uma habilidade, que a meu ver, é muito mais importante do que mensurar sua capacidade de ser original: seu senso crítico. Estruturar um senso crítico e entender que ser original e criativo é um processo que não tem fim pode ser muito mais lucrativo do que partir em busca da verdade criativa em cursos superestimados e receitas prontas de falsos gurus.

 

*Pedro Carcereri é mestrando em Artes, Cultura e Linguagens na UFJF. É roteirista, trabalha com produção e consultoria de roteiros. Pesquisa e tem interesse nas áreas de gênero cinematográfico, estrutura narrativa e arte e tecnologia.

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