Revolução na internet

1 de julho de 2013
saimos_do_facebook

por Gabriel Lyrio*

 

O momento realmente é único no Brasil. E sim, o Brasil acordou.

 

Após um movimento despertado nas mídias sociais, protestos contra a tarifa abusiva das passagens de ônibus começaram em São Paulo e tomaram todo o País. Depois de completadas uma semana de manifestações, o que chegou a ser pontuado por Alckimin como “um movimento pequeno”,  despertou enfim, a ira do povo para com as mazelas políticas que assombram o Brasil.

 

Qual será o rumo desta mobilização? Quem a lidera? E quais são as reivindicações? São perguntas que aqueles que se atrevem a responder certamente deslizam, pois não há precedentes do que observamos nestas mobilizações.

 

O que podemos observar é que o poder da mobilização via internet foi tão espetacular, que em real a mente humana não suporta ainda a gama de informações que estão sendo produzidas e acumuladas sobre as diversas pautas. E é nesse ponto que proponho uma reflexão:

 

Observem as páginas e eventos no Facebook que mobilizam as manifestações, o posicionamento da mídia, políticos, manifestantes e a interação do usuário/cidadão com os conteúdos relacionados. Parece que finalmente nós despertamos para a utilização das redes sociais como mecanismos políticos. Claro que temos exceções como os famosos amantes dos palanques ou aspirantes políticos, mas vemos uma grande quantidade de cidadãos despretensiosos compartilhando conteúdos sobre os eventos.

 

Pode-se perceber a queda de páginas com conteúdos “engraçadinhos” e que foram deixados de lado posts sem profundidade, o que na verdade reflete a necessidade individual de ironizar a condição de vida. Claro que não sabemos por quanto tempo isso se manterá, mas observo uma tendência, uma forma racional e que coloca o humano no seu devido lugar.

 

Com a quantidade imensa de dispositivos móveis registrando os fatos, de pessoas criando e compartilhando conteúdos quase em tempo real. Fica humanamente impossível tomar conta de todas as pautas questionadas pelo manifesto.

 

Com isso, as pessoas tendem a formar grupos, que seguem, compartilham e discutem uma pauta. E a tendência que observamos é que dessa discussão sai uma solução. É como no princípio wikipedia, tudo poderia dar errado, mas são tantas pessoas propondo e discutindo soluções, que a grande massa acaba recebendo on-line respostas cada dia mais claras. E assim o movimento vai se consolidando.

 

Portanto, o que se percebe é realmente uma nova política. Sem líderes de palanque, sem partidos de política de uma mão lava a outra. Na verdade, as discussões chegam a ser agressivas, e como fica impossibilitada a agressão física, é o peso intelectual que faz uma parte recuar, o que por seguinte reafirma e enaltece a parte mais madura do discurso, fortalecendo naturalmente uma solução.

 

Essa, sem dúvida, pode ser uma revolução constitucional, política, econômica, mas quanto à isso eu espero, não sei. Agora, com certeza, estamos observando a evolução da utilização das mídias sociais e da internet, não como meio de pesquisa, publicidade ou ascensão social. Mas também como mecanismo de educação e do direito de cidadão. Esperamos ansiosos os próximos capítulos dessa REVOLUÇÃO.

 

Gabriel Lyrio, Biólogo, pai de uma filha linda e marido de uma mulher maravilhosa, Diretor Geral da Necta Boards, que desenvolve produtos e processos sustentáveis.

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