O Design Thinking

9 de setembro de 2013
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por Maristela Meireles*

Fazer um post explicando o que é Design Thinking não é lá nenhuma grande novidade. Porém, todo projeto começa do começo e como muita gente ainda me pergunta: “O que é isso que você estuda?”, acho que pode ser providencial para um primeiro texto. Afinal, nunca é tarde para aprender se você ainda não conhece o DT.

 

O Design Thinking, ou Design Estratégico, é uma metodologia para se chegar a soluções inovadoras tendo as pessoas – os stakeholders envolvidos em determinado problema – como foco de sua pesquisa e criação. Assim como um designer precisa conhecer o dia-a-dia das pessoas para as quais ele cria, objetivando chegar ao produto que mais atenda suas necessidades, o DT leva a qualquer área de atuação o processo utilizado pelos designers para garantir produtos e serviços mais eficientes. Consequentemente, podemos chegar a resultados mais inovadores e sustentáveis.

 

O DT é comumente associado a IDEO, empresa de consultoria em Design que desenvolveu vários dos produtos que temos em casa hoje, como por exemplo, o primeiro mouse para a Apple. O termo surgiu nos anos 60, na Universidade de Stanford (onde você pode encontrar excelentes cursos a distância na área), no livro The Science of Artificial, de Herbert A. Simon. Mas foi com o David e Tom Kelley, cabeças a frente da IDEO, que o termo ganhou visibilidade entre profissionais de várias áreas. Felizmente, hoje já encontramos no Brasil diversas empresas que trabalham seguindo esse aproach e várias instituições formando profissionais na área (é o caso do Infnet, onde eu estudo).

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Human Centered Design e os Wicked Problems

 

 

Quem quer se aprofundar na área vai ouvir falar muito de HCD (Human Centered Design) e o Toolkit da IDEO. Como o próprio nome já diz, o HCD é usado para chegar a soluções focadas no ser humano buscando a inovação social. O Toolkit é um guia da IDEO onde você encontra um passo a passo para desenvolver um projeto de DT.  Os passos e técnicas apresentados são acompanhados de cases para ilustrar a metodologia. Afinal, o DT é exatamente o “aprender fazendo”.

 

Sendo focado nas pessoas e na inovação social, o DT é um processo importante para a resolução dos wicked problems. Os “problemas capciosos”, tradução livre para o português, são aqueles problemas que envolvem conflitos de interesse entre stakeholders, componentes éticos e políticos e não possuem soluções óbvias. Exemplos disso são questões que envolvem sistemas de saúde e educação, desenvolvimento da economia local e acesso ao saneamento básico.

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Quantidade para Qualidade

 

 

O interessante sobre o DT é que não existem questões sem respostas.  É essencial que o pesquisador se coloque no lugar do público estudado e procure entender o contexto através de outra perspectiva – EMPATIA. Feito isso, fica mais fácil entender seus anseios, frustrações e objetivos, chegando a soluções assertivas. As restrições não são vistas como obstáculos, mas como briefing que molda o processo de solução de um problema. Se a questão financeira é determinante, vamos trabalhar as possibilidades de baixo custo e é aí que entra o “pensar fora da caixa”.

 

Se o Fora da Caixa parece um mundo inatingível para muitos, o DT quebra o estigma de que a criatividade é um dom dado aos iluminados. A criatividade pode ser estimulada em qualquer ambiente profissional com base em técnicas e métodos. Para se chegar a uma boa ideia, é importante que muitas ideias sejam geradas. De 100 ideias, pelo menos uma ideia irá se encaixar nas expectativas dos pesquisadores, seja em termos de inovação, criatividade, viabilidade, custo ou mesmo, tudo junto.

 

Para chegar a um amplo e variado cardápio de ideias vale pensar no possível e o impossível. E se eu não tivesse nenhuma restrição financeira? E se eu tivesse super poderes? Como uma criança de seis anos resolveria esse problema? Levar em consideração esses aspectos é essencial para estimular o nosso cérebro a encontrar opções inovadoras.

 

No brainstorming vale tudo, só não vale criticar. Muitas vezes, é na adaptação de uma ideia mirabolante em que se encontram as sacadas mais geniais. E SE… as ligações entre pessoas do mundo inteiro fossem gratuitas? Sem essa ”viagem”, hoje não teríamos o Skype.

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Falhar para crescer

 

 

Depois de exercitar o cérebro, é preciso escolher as ideias que valem a pena e levá-las a campo. A PROTOTIPAÇÃO é peça chave para saber se a sua ideia realmente atende as necessidades do seu público e se você não vai despender tempo e dinheiro em projetos que vão te levar a lugar algum.  É através do protótipo que a sua ideia se torna tangível: você vai refletir mais sobre ela e a pessoa testada poderá experimentar a solução proposta.

 

Quanto mais rudimentar o protótipo, mais a vontade o seu tester se sente para sugerir e questionar. É através desse feedback que você REFINA o seu produto ou serviço. Esse procedimento já evitou que grandes empresas perdessem rios de dinheiro com produtos de eficiência ou aplicabilidade questionável.

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Por fim, cabe falar que o DT é um processo cíclico. No prototipação também estamos pesquisando e daí podem surgir novas ideias para serem testadas.

 

Deixo algumas referências de leitura e no próximo post vamos falar de forma mais detalhada sobre cada etapa do processo.

 

E você, já conhecia o Design Thinking? Já viu essa metodologia ser aplicada em alguma situação próxima a você?
Deixe seu comentário com dúvidas, sugestões e contribuições e vamos conversar!

 

*Jornalista, trabalha com marketing digital e faz MBA em Design Estratégico. Gerente de Relacionamento da Virtual AD. Saiba mais sobre Design Thinking no tumblr ideAÇÃO.

 

REFERÊNCIAS:

 

Livro:

  • Design Thinking, Tim Brown – tem que ler!!
  • A Empresa orientada pelo Design, Marty Neumeyer (para empresários empreendedores)
  • DT: Inovação em Negócios, da MJV (esse livro pode ser baixado gratuitamente aqui.)

 

Vídeo:

Deep Dive: o processo de criação da IDEO

Toolkit da IDEO. (você deve se cadastrar no site para baixar. Tem versão em português)

Bootcamp Bootleg – Guia da d.School – Stanford

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