Duchamp e as novas séries fotográficas

11 de junho de 2013
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por Fernanda Ciribelli*

 

Grande parte do meu trabalho é pesquisar notícias e referências sobre arte, cultura, criatividade, inovação e outros temas afins. Nessa busca diária, venho cada vez mais me deparando com projetos fotográficos, alguns dos quais me tronei grande fã, como o pai que captou com enorme sensibilidade o universo particular do filho autista ou do fotógrafo que registrou os sapatos usados nas fugas dos refugiados da guerra civil do Sudão. Em contrapartida, outros projetos me intrigaram por sua banalidade, como as fotos que retratam como dormem as pessoas ou o projeto que mostra a anatomia dos armários de cozinha de moradores de Amsterdan.

 

Questionando a motivação dos dois últimos fotógrafos para criarem tais projetos, comecei a elaborar na minha cabeça teorias sobre essas novas manifestações artísticas. A primeira que me veio foi a da grande facilidade que existe hoje para comprar excelentes equipamentos fotográficos e a enormidade de bons cursos oferecidos, o que faz com que todos os dias (por sorte!) surjam novos fotógrafos, tanto bons quanto ruins. Outra possibilidade é pensar sobre os novos valores da sociedade e o desejo insaciável de todos por mostrarem quem são, o que fazem, como vivem. O exibicionismo que valoriza a difusão de informações banais, como o que as pessoas comem ou até mesmo de que forma dormem.

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Em algum momento pensando sobre tal questionamento, me lembrei de Duchamp, o gênio francês que com seus ready-mades desafiou os críticos de arte de sua época desconstruindo a ideia pré-determinada do que era arte e de quem poderia ser considerado um artista. Duchamp retirava objetos comuns de suas funções usuais e os colocava em museus quebrando padrões e incomodando as pessoas apegadas a eles. E, corajosamente, iniciou um novo movimento artístico com a valorização do non-sense: o dadaísmo.

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A partir daí, desisti das minhas teorias sobre os projetos fotográficos e decidi sair da cômoda posição de crítica (para piorar, sem formação) que muito opina, mas que pouco produz e humildemente me juntar ao coro que há tanto tempo tenta entender: afinal, o que é arte?

 

*Fernanda Ciribelli é analista de mídias sócias da Virtual AD e se recusa a se descrever em uma narcisista mini autobiografia.

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