A qualidade como estratégia na publicidade online – Obama For America

16 de setembro de 2014
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O conteúdo é uma das chaves para se alcançar o público online de forma eficaz. Além da relevância e qualidade do conteúdo, pode-se dizer que a forma como ele é transmitido também influencia na relação do público com ele. O conteúdo não é inofensivo: através dele são transmitidas ideias.

 

O publicitário João Paulo de Oliveira estudou em seu mestrado em Ciências Políticas a campanha do presidente Barack Obama e como um quase desconhecido conseguiu firmar seu nome como presidente de uma das democracias mais tradicionalistas do mundo através das redes sociais. Confira o que a pesquisa mostrou sobre a transmissão de ideias e conteúdo na campanha de Obama para presidente:

 

“Durante dois anos de campanha, baseada na internet, a imagem de Barack Obama se estabeleceu por discursos que se tornaram muito populares no Youtube e pela presença real no Twitter, grande vedete das mídias sociais na época. O Facebook funcionou como núcleo para a formação da grande rede de conteúdo em torno do candidato. Obama e sua candidatura participaram e transformaram o cotidiano digital das pessoas. Foi essa força-tarefa que fez a massa digital se unir em torno de uma causa: mudar – o slogan de Obama era “change”. O famoso “sim, é possível”, aliás, surgiu de um desses famosos vídeos no Youtube, em que a expressão foi bastante aproveitada no discurso, e ganhou força com os apoiadores de Obama.

 

O meio online levou ao engajamento off-line. Apareceram grupos on e off para discussão de propostas para diferentes segmentos da sociedade. Artistas participaram da campanha. Tudo isso reflete a contribuição voluntária e espontânea que o meio online gerou no eleitorado apoiador de Obama. A campanha se desenvolveu pautando a internet e atingiu a mídia no geral. O envolvimento das pessoas na campanha resultou na eleição do primeiro presidente negro da democracia americana.

 

A campanha de Obama fica de exemplo para a publicidade online. Esta é uma ferramenta da propaganda, atrelada ao varejo (compra e venda) e ao branding (conceito, marca). Ambas atividades pedem uma (re)ação do público. Na publicidade online, o sujeito vai atrás daquilo que deseja; a publicidade off-line muitas vezes “invade” nossa rotina (como um comercial de TV). Estar na internet enquanto marca lida ao mesmo tempo com números, programações, robôs, mas também com a subjetividade das pessoas. Mesmo utilizando o seu próprio site como base principal de relacionamento via web e se valendo apenas de publicidade no Google, uma empresa, por exemplo, pode ser questionada, comentada e mal falada nas redes sociais, implicando isso, na imagem das pessoas sobre os produtos ou serviços ofertados.

 

Ao mesmo tempo em que investir em aparições na página principal de busca acelera compras, uma situação ruim com o público on ou offline pode perder confiabilidade nas redes. O que a campanha de Obama mostrou foi que é possível confiar na qualidade do conteúdo e em sua valia para o público como atrativo para vendas (no caso de Obama for America, doações e votos). Seu comitê além de ouvir e responder, dialogava e aplicava seu ponto de vista.

 

A campanha de 2008 é exemplo de sucesso e se tornou a base para tudo aquilo que veio a seguir e que, hoje, conduz o marketing online. Todo planejamento inclui “presença online”. E essa presença deve dialogar com seu público: incluir as mudanças pedidas, interagindo de forma assertiva e objetiva. Assim, ao mesmo tempo em que se é eficiente dentro da proposta inicial de consumo, consegue também a simpatia e a curtida de quem interage e se sente satisfeito com o oferecido.”

 

João Paulo de Oliveira é Coordenador de Comunicação da Orquestra Sinfônica Brasileira; flamenguista, pixador e produtor compulsivo de conteúdo.

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